O cristão e as manifestações populares
Diante dos protestos que ocorreram em todo o país nesses últimos dias, passei a querer saber de Deus se o crente deve participar de manifestações contra o Estado. A minha inquietação tem a ver com o que a Palavra de Deus diz sobre as autoridades: "Toda autoridade é constituída por Deus..(Rom.13:1-7), logo devemos a elas obediência e honra. Entretanto, a obediência as autoridades tem limite, pois a Bíblia também nos exorta de que "mais importa obedecer a Deus do que aos homens"(Atos 5.29), ou seja, em casos de conflito – quando o Estado exige de mim aquilo que a Palavra de Deus proíbe – devo obedecer a Deus e desobedecer ao Estado. Pois ao colocar-se contra os valores e princípios de Deus, o Estado corrompe seu papel dado por Deus e suas leis são meras leis “humanas” em contraste com as divinas.Nessas condições, cabe aos cristãos o uso dos meios legítimos para discordar, avisar e alertar o Estado e, finalmente, estar prontos para sofrer as consequências da desobediência à estas leis, como os primeiros cristãos fizeram ao recusar-se a adorar o Imperador, culto oficial e obrigatório do império romano.
Concordo com a participação dos crentes em manifestações, como as que ocorreram em nossas ruas ultimamente, contanto que sejam ordeiras e pacificas, que não sejam violentas e que visem o bem da sociedade e não somente os privilégios dos crentes e evangélicos. O que não faz sentido são as igrejas se organizarem em passeatas, manifestações ou marchas para reivindicar privilégios só para os crentes.
Mas, não podemos esquecer que a maneira eficaz da igreja influenciar e mudar a sociedade é pela pregação do Evangelho de Cristo, chamando governantes e governados ao arrependimento de seus pecados e conversão, pela fé, a Jesus Cristo. Não somente isto, mas também pelo exemplo que nós cristãos como sal e luz devemos dar ao mundo, através de nossas obras de amor, arrependimento e fé.(Mt 5.14-16).
Rev. Gevaldo Simões